Belém chove

não vou te perguntar
como foi seu dia
nem irei contar
se foi bom o meu
se eu levei o guarda-chuva
ou se vi alguém que conheço
e não lembro o nome
no metrô.

não vou te contar
que ando triste e incompleto
mesmo achando que as coisas
tem dado mais certo
que há até bem pouco tempo…

não vou perguntar
(mais uma vez) se em Belém ainda chove
nem se está tudo certo
não ser o orgulho de alguém?

não vamos rir
nem tirar fotos
não vou rir
das suas fotos
não vou ouvir a melô das musas
(nostalgia reverente)
e perguntar que diabos você quis dizer
quando não disse nada.

mas quando a saudade for
te buscar num sonho
vou sentir raiva.
pois no sonho é que a gente
se desarma.
e esqueço seus conselhos de ser âncora
acordar num mar revolto perguntando
como é que se abraça
por dentro?

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