Para Lisa

Hoje eu precisei de alguém que eu não conhecia. E foi como atravessar a Presidente Vargas de olhos vendados: o vento batia e eu respirava até inflar os dois pulmões por completo. Típico de quem escapa por um fio.

Hoje eu precisei de alguém e seu nome é Lisa. Que me interrompe quando eu falo. E me faz ter vontade de bater cada porta do apartamento. Lisa sabe o quanto eu preciso dela, e faz com que tudo seja assim, “para Lisa”.

Que bom não precisar de ninguém, a não ser de Lisa. Que vem desenfreada, ainda que somente eu a veja. Que vem e continua vindo, quando acho que não preciso de ninguém, além de mim mesmo. Ela conhece cada passo que dou e nunca toca a campainha. Como o vento por trás do pescoço: não mata, mas paralisa.

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