É uma festa

Pediu silêncio e pôs-se a me beijar. Foi um beijo demorado, onde naturalmente se perde a conta de quantas músicas cabem entre uma língua e a outra. A respiração, descompassada, entra em sintonia. Os corações solam em uníssono: Tum, dum; tum, dum!

baby, quando a gente se vê é uma festa
é fogo, é papo curto e vertigem
é gelo seco e suor.

Subitamente acabou, como se acendessem as luzes da festa. Podem ir, nós ficamos! Pediu que lhe guardasse a bolsa e a porta do banheiro, que nos separou por três músicas e meia. Aquilo, sim, que era demora. Beijou-me o rosto e partiu. Acenou com as pontas dos dedos.

baby, eu sei que é porque no dia seguinte
eu fico arrasado, fico fuligem
eu fico trôpego, malajambrado
um letreiro apagado
eu fico bem mal.

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