Escrevo

Uma das perguntas mais frequentes que me fazem é: por que escrevo? Para começar, parafraseando Bukowski, para me proteger da completa loucura. Então escrevo porque é melhor que falar. A urgente necessidade em ser ouvido se esvai enquanto deslizo os dedos pelo teclado.

É foda pensar que nem sempre haverá alguém que ouça e entenda as angústias e esses outros assuntos sobre os quais se conversa — essas questões existenciais. As pessoas absorvem de maneiras diferentes — quando o fazem — e devolvem com opiniões muitas vezes questionáveis: “Será que esse cara sabe mesmo do que estou falando?”. Ninguém me entende melhor que uma página em branco.

Escrever é entrar em contato com as memórias, desde as que ferem a carne às que abraçam ternamente. É fantasiar quase livremente ou encontrar o que aí está, transformando numa linguagem única. Ray Bradbury, autor de Farenheit 451, certa vez decretou:

“Um escritor é um ímã passando por um mundo factual, pegando o que ele precisa.”

Antes de escrever para os outros, escrevo para mim mesmo. Preciso me livrar do peso, das dúvidas, do erro. Preciso me impressionar pra que eu possa tocar quem quer que seja. Escrevo pra suportar as bocas inoportunas, que não param de falar e, além de tudo, o silêncio que nem sempre vem a calhar. Escrever é preciso.

Música que inspirou:

*Texto publicado originalmente no Medium.

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