steampunk heart
Crônicas

Eu vejo melhor

Eu não ouço como você ouve. Não ouço quando alguém me chama na rua. Mas ouço se alguém me diz pra eu ficar na minha. E nem sei se posso falar das coisas que eu ando ouvindo por aí.

Eu, da minha hipermetropia, vejo melhor. Vejo a gota de chuva que cai do carro que parou. Vejo a cor do botão que sufocava e se soltou.

Escrevo poemas com dor de cabeça e de olho fechado. No escuro! Só pra amenizar e ver a linha que se entortou. E eu vejo melhor. Eu vejo o que é melhor pra mim e pode ser melhor pra quem quiser falar sobre música, fazer música, dormir escutando música, fazer amor e música, e conversar andando. O seu, eu vi que talvez – é cedo, é belo, é terno – não seja o meu.

O cheiro do dia se pondo é diferente do que ainda não nasceu. E se não nascer, eu ouvi que ainda estava pra vir – meu porvir – um dia bom. O cheiro que vem do jeito de quem não vê o que se pode ouvir é o jeito que se pode dar quando alguém falar que é o melhor pra você.

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