O guarda-chuva

Há um guarda-chuva no telhado. Eu gostaria de dizer que é um desses amarelos ou brancos de bolinhas vermelhas e imaginar a história trágica da jovem que saía para uma entrevista de emprego e ficou encharcada porque a tempestade levou-o embora.

É um guarda-chuva preto com aros aparentes e enferrujados. Parece um pára-raio num ferro velho abandonado. Pela coloração, deve fazer tempo que ele está morando ali. De quem seria aquele guarda-chuva, será que já foi dividido por algum casal apaixonado?

O telefone tocou. Minha avó avisa que vai chover; eu já sabia disso e não era exatamente a ligação que eu esperava, mas fiquei feliz por ela ter ligado.

É um guarda-chuva preto desbotado. É um maldito guarda-chuva e não há muito o que ser falado. Ele não vai a lugar algum, por ora, assim como eu e o telhado.

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