Carro de som

Entre as inúmeras particularidades do subúrbio carioca, a sensação de que parou no tempo é uma delas. Ainda é possível ver muitas ruas de paralelepípedos e pequenas mercearias que ainda não foram engolidas por franquias. Como antigamente, há muitos vendedores com carros de som oferecendo peixe, camarão, pamonha, pizzas congeladas, queijos e bolos caseiros, sem esquecer do vassoureiro – que também vende panos de chão.

Nos bairros das Zonas Oeste e, principalmente Zona Norte, parecem sofrer uma resistência cultural, sem aprofundar a falta de investimentos públicos e privados, problema recorrente. Madureira, Engenho de Dentro, Oswaldo Cruz e Realengo são alguns desses lugares que exalam ares saudosistas.

Foi num começo de tarde de sábado que um carro de funerária anunciava o sepultamento de… Marco Antonio (perdia um xará!)… Araujo… Nesse momento, meu coração disparou. Eu tinha começado a beber, mas tinham sido algumas latinhas… Pinto.  “Marco Antonio Araujo Pinto será sepultado no cemitério Jardim da Saudade…”. O tempo parava, naquela fração de segundo. Depois de mais um gole de cerveja, o alívio por não me colocarem um Pinto no RG.

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