Nós

Deu um nó. Em nós. Estamos presos nós dois na mesma camisa de força. E quem foi que disse que somos loucos? Nunca entendi a expressão “louco de pedra” e a esta altura não tenho mais vontade de pesquisar o que significa. Você não está vendo essa pedra na que estamos prestes a bater?

É assim, como letra de música:

“quando você está perto / é a paisagem mais bela /  e,sem conferir a janela / um olhar da cor do sol”.

Agora você está sempre por aqui e eu andei pensando se seria algum absurdo entrarmos em combustão espontânea.

Então me vem o lado B da mesma canção, que escrevi num desses muitos momentos do outono,  acompanhados a caneta falhando e cachaça mineira:

“se você não está em casa / o mar de lama ao lado / vazio da cama revolta / eu já cansei de me afogar”

Eu, que sempre fui muito afoito para que as metáforas que nos contam fizessem sentido, finalmente entendi o que é sentir o nó na garganta. E no estômago. É difícil de explicar, mas não há romantismo nenhum nisso.

Estaríamos nós dois condenados a essa tormenta? Se estamos longe, dói – muito. Se estamos perto, sufoca. Eu podia apostar que no último domingo você tentou acabar com tudo, mas cadê que eu pergunto? Se a esperança é a última que morre, o que ainda estamos fazendo aqui?

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