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Crônicas

Pão com presunto

Saí para comprar cigarros, como faço todos os dias na mesma hora. Usando os mesmos chinelos bicolores, vi que uma parte do solado sobrava nos pés: mais no direito que no esquerdo. “Bom dia”, disse o porteiro, antes mesmo que eu pudesse dizer. Logo aquele que não cumprimenta ninguém, e que mentalmente já o mandei à merda milhares de vezes por isso. Ganhei o dia…

Quando estou quase chegando, resolvo voltar e comprar pão fresco, aquele pão de forma na geladeira não estava mais com nada. “Por que essa mulher não morre?”, me perguntava à televisão o dono da padaria, pouco depois do meu “bom dia”. O café, àquela hora, acabava de passar. A garganta, seca, ávida por ele – acompanhado do cigarrinho recém-comprado. Levei presunto, pois o queijo já estava lá.

A fumaça e o vapor se misturavam e diziam, bem baixinho: A força das palavras está intimamente ligada a quem diz e como se diz. Ora, se um mero pão francês com manteiga e presunto pode virar um luxuoso sandwich de jamon y mantequilla, imagina a primeira vez que um novo amor diz “eu te amo”?

 

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