O disco do Pixinguinha

Já fui católico. Já fui kardecista. Eu tenho uma relação espiritual com o silêncio. Assim como a música, ele é fundamental na minha vida. É como um jardim florido, que se murcha a cada “eu te amo” que se diz e eu não acredito. E eu prefiro a solidão como terra fértil do que a companhia de mero arranjo de plástico em palavras tão dispensáveis.

Eu não vou pedir nada de volta. Pode ficar com o Neruda que você não leu e também o Pixinguinha que pedi para tomar todo o cuidado do mundo. Como uma flor plantada sem semente, suas palavras praguejam quem levanta e vai tentar seguir adiante. São como um vulto, que vem e passa de repente: distração. Será que eu devia ter pena do próximo?

Já lhe dei o enorme prazer de chorar à sua frente. A luz que eu sentia vir de você era estrela de plástico na árvore de Natal, que acende e pisca, acende e pisca, acende e pisca… e volta para a caixa de papelão antes que chegue o carnaval.

Quando bater a porta, bata de vez. Da carteira de identidade, eu tiro uma segunda via; afinal, já fiz as pazes comigo mesmo (e até com o Chico Buarque). É sério, não preciso de mais nada. Só não me prive do silêncio, meu novo Deus. E quer saber de uma coisa? Eu já fui tarde.

 

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