Abrace um idiota hoje

Invariavelmente, um dia você será um boçal. Existem vários tipos de boçalidade, que você vai conhecer ao longo da vida, e deve exercitar muito a auto-crítica para não ser – sempre – um deles.

Vamos supor que idiota e boçal sejam sinônimos perfeitos, gosto do som das duas palavras e essas acabam convergindo ao ilustrar certos comportamentos. Existe, por exemplo, o idiota útil, jargão político popularizado recentemente para denotar o fervor cego de setores da sociedade em defender alguma ideologia. Também há o valentão, aquele que morre de medo de suas inseguranças. Meu preferido.

Do céu, quão baixo o chão pode ficar? Na dúvida por culpar alguém numa situação desconfortável, abrace o idiota. Atenção para a nova campanha: Abrace um idiota hoje! A gente sabe, ele não pensa e nem fala muito bem. Um idiota acolhido se desarma e perde a força para se vingar. Melhor que um idiota, só dois deles juntinhos e se merecendo; vingança é legal mesmo num filme de aventura, já que o contrário demanda uma energia desnecessária.

E quão rente ao chão se pode rastejar? O boçal, sozinho, tropeça em suas próprias boçalidades. Anda e não sai do lugar. Tenho para mim que o desejo de acertar se torna contraproducente quando vira obsessão. Quem foi que disse, mesmo, que você precisa sempre ter razão? Vai por mim, quase tudo se resolve na cama. E não pense muito sobre o que estão falando por aí sobre você. Doi menos do que poderia, mais do que deveria, e a dor é uma forma de se acertar.

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