Que lindo, amor

As pessoas que se amam gostam de dizer coisas bonitas umas às outras. Um exercício de carinho e admiração mútua. Mesmo quando se escreve  um texto livre de qualquer originalidade ou encanto e, ainda assim, ter seu elogio rasgado pelo amor ao lado. Acontece. E me deixa triste.

Acabo de saber que a carta que John Lennon escreveu a Joe Franklin foi vendida por 28 mil dólares. Na ocasião, ele pedia que o apresentador nova-iorquino prestasse atenção no disco de Yoko Ono. Usou frases credenciais como “Ela foi treinada como musicista clássica e estudou composição no Sarah Lawrence College. Não deixe que isso assuste você.”. Independente da qualidade do material, um salvo-conduto desse já é assustador! É, isso me deixa triste.

O amor é lindo, mesmo, mas nem tudo é “que lindo, amor”. Quantas vezes vão dizer que aquela sua foto desfocada é linda? Ou que meu último poema preguiçoso é maravilhoso? Por quanto tempo vamos esperar o tal do choque de realidade?

Já me disseram que, quando eu estiver triste, que pense em coisas belas. Então, eu penso, involuntariamente, em coisas tristes. Talvez porque eu veja beleza na tristeza. Aquela que se abraça. E sabe o que mais? É a beleza mais sincera entre todas.

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