Pílulas Existenciais

Somos o oposto do inverso, a combinação do gesto reverso, a vontade do medo de começar. Somos praia vazia no domingo de sol, um canto sem eco no jogo de futebol. Somos a luz que acende quando o dia já brilha até o olho doer.

E o que somos? Propriedades sem dono. Corações em abandono. Cachorros que preferem whiskas sachê. Somos o tropeço no chão. O doce sobre o doce irmão do perdão. O sino da igreja na hora inexata. O café fresco com a vontade de adormecer.

E somos almofadas que doem a bunda. Somos esquimós pescando de sunga. Somos a rima rica e pedante de amor e dor.

A embriaguez no copo d’água, a esperança esperando sentada, os dentes para a sopa de suspiros com um toque de ervas finas. Somos vestidos da própria nudez. Miudezas sob o microscópio censor. O motor ligado do barco atracado. E um beijo no vento.

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