Um peido

 

Tem certas coisas que, por mais clichê que pareçam, só consigo chamar de sabedoria: “Um peido é um aviso sonoro que vem lá das profundezas das tripas, para avisar às beiradas do cu que vai haver uma tempestade de merda”. Palavras da minha avó, que deve ter aprendido com a dela, ou em algum programa do SBT.

Não conseguia escrever. Voltando aos clichês dos escritores de “querido diário” (sou eu!), esse exercício é minha válvula de escape. Escrevendo eu me limpo por dentro. Eu me reconheço e até fico emocionado durante e depois do processo, em alguns casos. Se não escrevo, fico triste. Acumula-se um peso tão grande que só a próxima escrita pode aliviar.

Então comento, via twitter, com uma grande amiga, com quem tenho grandes discussões, sobre a situação e inicia-se o debate:

– Preciso escrever! Não consigo escrever! Qualquer coisa que dê vazão a essa angústia!

– Tá com aquela agonia que precede o parto?

– Não tenho isso. Eu geralmente tenho vontade e sai, que nem cocô. Agora parece que estou com hemorroida e prisão do ventre.

– Que metáfora de merda! Literalmente! Suncê tem que peidar, meu fi. Peida!

Pensando bem, Rose Borges (a amiga!) tem a mesma sabedoria de minha avó. Sem saber como deixar o texto mais macio, fui breve, como quando se digere uma refeição de poucas fibras. Infelizmente, não é sempre assim. Outro amigo, Eddie, observa: “nem todo flato é silencioso como a bruma”. Um viva aos amigos-laxante! Cá estou, peidando. E prevendo a tempestade.

Publicado originalmente em Colesterol.

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